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Porque usar um capacete?

O capacete é o principal item de segurança das atividades equestres. Para um capacete ser eficiente, ele precisa ter certificação de segurança, ser do tamanho correto, estar ajustado e estar devidamente afixado.

Os capacetes devem ser usados sempre que você estiver montado – pois apesar dos cavalos serem criaturas bondosas e gentis, como em toda atividade física que envolve altura e velocidade e muitas variáveis os acidentes podem acontecer.

Como escolher um capacete para atividades equestres?

Há inúmeras marcas e modelos de capacete para atividades equestres no mercado, mas o fundamental é optar por capacetes que tenham selos de certificação de segurança! (mais adiante falaremos um pouco sobre o que é a certificação)

Em se tratando de capacetes certificados, saiba que os preços variam em função de marca, leveza, ventilação e materiais – e não de acordo com a segurança oferecida. Ou seja, um capacete caríssimo não irá necessariamente ser mais seguro que um capacete simples.

Depois de escolher o modelo que mais gosta, é importante verificar que o tamanho do capacete escolhido e seu encaixe na sua cabeça estejam corretos. Para te ajudar, seguem algumas dicas:

Se for comprar seu capacete em lojas virtuais, use uma fita métrica para medir o perímetro cefálico da sua cabeça. A fita métrica deve ficar justa ao redor da parte mais larga da sua cabeça, a aproximadamente 2,5cm acima das suas sobrancelhas. Compare o tamanho obtido na fita com a tabela de medidas do fabricante do capacete. Como o ajuste do capacete depende do formato da sua cabeça, se possível, opte por um modelo de capacete que tenha um sistema de ajuste de tamanho.

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  • Como o capacete é um item de segurança, jamais opte por comprar um número maior de capacete para que ele “dure mais”. Além da cabeça não crescer no mesmo ritmo que o restante do corpo, um capacete folgado não será eficiente.
  • Quando você experimentar o capacete, coloque-o sempre da frente para trás. Após colocado o capacete, balance a sua cabeça! Seu capacete deverá fazer suas sobrancelhas e a pele da sua testa mexerem. Assim você saberá se ele está justo o bastante!  E apenas você saberá se ele está apertado demais.
  • O capacete deve permanecer confortável na sua cabeça quando estiver fechado, sem sair do lugar independente de como você se movimentar. Quando for experimentar um capacete, abaixe e balance sua cabeça. Um capacete do tamanho correto e com o encaixe correto não sairá rápida e facilmente da sua cabeça.
  • As espumas adicionais que acompanham a maioria dos capacetes poderão te ajudar a obter o melhor encaixe do seu capacete, mas devem ser usadas apenas para você obter um “ajuste fino”.
  • Cabelos compridos deverão ficar presos para baixo ou dentro do seu capacete para não interferir no ajuste. Se você for usar o cabelo para dentro do capacete, é necessário experimenta-lo com o cabelo preso desta forma.
  • O capacete deve “apertar” a sua cabeça da mesma forma ao redor de toda a sua cabeça, sem expor sua testa ou atrapalhar sua visão.
  • Quando estiver com o capacete fechado e abrir sua boca, você deverá sentir a queixeira na sua garganta, e não no seu queixo. Isto irá assegurar a estabilidade do seu capacete.
  • A queixeira deve ficar atrás de seu queixo e encostada na sua pele.
  • A parte traseira das tiras de fixação, perto da sua nuca, deverá estar justa o bastante para o capacete não se movimentar para a frente.
  • As tiras de fixação devem se encontrar um pouquinho abaixo e à frete dos lóbulos das suas orelhas.
  • O capacete deve sempre ficar paralelo ao chão e entre 2 e 2,5cm acima da sua sobrancelha.

Indicativos de que o capacete está grande demais:

O capacete balança quando você mexe sua cabeça de um lado para o outro ou da frente para trás.
Suas sobrancelhas não se movem quando você balança seu capacete com suas mãos.
O capacete atrapalha sua visão.

Indicativos de que o capacete está pequeno demais:

Você fica com dor de cabeça após alguns minutos usando o capacete.
O capacete está alto demais na sua cabeça, deixando a maior parte da sua testa exposta.

Para garantir que seu capacete irá te proteger, saiba que:

Capacetes que não forem certificados pela ASTM/SEI não oferecem qualquer tipo de proteção e são apenas adornos.
Capacetes só protegem adequadamente se forem do tamanho correto, estiverem ajustados adequadamente e estiverem com suas queixeiras fechadas;
Após sofrer impacto, o capacete deverá ser substituído. Um capacete pode estar danificado mesmo sem apresentar marcas visíveis. Isto ocorre por que as lâminas internas dele podem estar danificadas e assim a proteção em determinada área do capacete estará reduzida.

Posso usar meu capacete de ciclismo para atividades equestres?

Num primeiro olhar, capacetes de ciclismo podem parecer uma boa alternativa para os esportes equestres já que podem parecer mais leves e ventilados – e normalmente são mais baratos!

No entanto, quedas de bicicletas e de cavalos são bem diferentes e, portanto, os capacetes também precisam ser! 

A altura de uma queda de um cavalo é bem maior que de uma queda de bicicleta e os capacetes de ciclismo não são projetados para resistir ao impacto de quedas altas.

Na maior parte das quedas de bicicleta, o ciclista é projetado para a frente e por isso os capacetes de ciclismo protegem mais o topo da cabeça e oferecem menor cobertura da cabeça.

Já nos esportes equestres, as quedas podem ocorrer em todas as direções e por isso as laterais e posterior da cabeça precisam de maior proteção.

Os capacetes equestres também são projetados para absorverem impacto de objetos contundentes como cascos e ferraduras, e deslizarem em vários tipos de superfície para que você possa sair de perto do cavalo mais rapidamente.

O que é uma norma de certificação e o que ela representa?

Normas de certificação são exigências de segurança que diferentes tipos de equipamentos de proteção individual cumprir para assegurar a eficácia de um equipamento de segurança.

Cada conjunto de normas tem seus próprios critérios e testes. Estas normas são específicas para cada atividade e são elaboradas com base em muita pesquisa e milhares de estudos de caso.

Em se tratando de atividades equestres, cada norma enfatiza a capacidade de proteção oferecida por cada capacete em diferentes situações e contra diferentes tipos de traumas.

Apesar de todos os parâmetros avaliarem a segurança geral de capacetes para atividades equestres, cada um tem também um foco especial que avalia:

  • sua área de cobertura;
  • resistência a tipos específicos de quedas (diferentes velocidades, trajetórias e alturas);
  • resistência a impacto em diferentes superfícies (grama, areia, cimento, chão batido);
  • capacidade de deflexão ou rotação do capacete para oferecer proteção ao pescoço e coluna cervical);
  • resistência a coices e pisoteamento  pelo cavalo – em velocidades diferentes, com e sem rampões;
  • resistência a esmagamento pelo peso do cavalo;
  • resistência a objetos perfurantes em caso de queda com impacto em objetos de formatos e materiais diferentes.

Logo, é comprovado que um capacete que atende às exigências de mais de um conjunto de normas irá proporcionar maior proteção em caso de diferentes quedas.

De forma resumida, a certificação é a comprovação científica que determinado capacete oferece a segurança exigida por determinada norma e para determinada atividade.

Quem certifica capacetes e quais são os principais parâmetros de certificação?

Todas as empresas fabricantes de capacetes que queiram comercializar seus capacetes precisam submeter seus capacetes ao processo de certificação para que atendam a pelo menos um dos principais parâmetros internacionais de segurança. 

A certificação é um processo independente feito por institutos reconhecidos e credenciados que são responsáveis por normatização, metrologia e qualidade industrial.  

Apesar de haver várias instituições realizando testes independentes de alta qualidade e confiabilidade a principal instituição certificadora de capacetes para atividades equestres é a American Society for Testing and Materials (ASTM)[1].  

A ASTM é uma organização internacional formada por médicos, engenheiros e físicos – todos voluntários – que trabalham para estabelecer e constantemente revisar os parâmetros de equipamentos de segurança.

Os testes são realizados pelo Safety Equipment Institute (SEI), um laboratório independente que reúne laboratórios credenciados e institutos independentes que conduzem os testes.

As principais normas de certificação de segurança para capacetes equestres em vigor são:

ASTM F1163 (a partir de 2004, desde que com a marca SEI): atual norma americana.
SNELL E2001: atual norma americana.
PAS 015  (desde com o selo BSI Kitemarked):  atual norma europeia.
VG1 (com ou sem o selo BSI Kitemarked): atual norma temporária europeia.
AS/NZS 3838 (a partir de 2006, desde que com o selo SAI): norma australiana
ARB HS 2012 (desde com o selo SAI): norma neozelandesa

 

Selos de Qualidade

Alguns fabricantes também optam por realizar certificações adicionais e voluntárias em seus capacetes. Estas certificações adicionais são comprovadas pelos selos de qualidade que estão impressos nas etiquetas internas de alguns capacetes, ao lado da norma de certificação.

Os selos denotam que as empresas fabricantes destes capacetes cumprem, voluntariamente, um sistema rigoroso de regulamentação e testes adicionais.

Estes selos de qualidade são:

SEI – Safety Equipment Institute
SAI
Kitemark  - O selo Kitemark também exige que a empresa fabricante conceda acesso total e irrestrito dos institutos de certificação e testes às fabricas para que possam ser realizados testes e auditorias randômicas.

Como saber se um capacete tem certificação de segurança?

Todos os capacetes certificados terão ao menos um destes selos em suas etiquetas internas. 

Capacetes tem prazo de validade?

Num mundo ideal os capacetes durariam para sempre – principalmente custando o que custam! Infelizmente, os capacetes têm prazo de validade e o consenso entre os fabricantes é que eles sejam usados por até 5 (cinco) anos a contar do primeiro uso, ou aproximadamente 2000 horas de uso.

A lógica para esta recomendação é que o calor, suor e tombo ocasional do capacete reduzem o seu grau de segurança. Logo, um capacete que é usado regularmente irá se deteriorar mais rapidamente que um que seja usado apenas uma hora por semana.

Lembre-se, no entanto, da recomendação que fizemos anteriormente! Após sofrer impacto, o capacete deverá ser substituído. Um capacete pode estar danificado mesmo sem apresentar marcas visíveis. Isto ocorre por que as lâminas internas dele podem ter sido danificadas ao absorver o impacto da queda e assim a proteção em determinada área do capacete estará prejudicada.

Como vários fabricantes usam capacetes acidentados em testes e pesquisas, vários deles têm programas de reposição. Através destes, você recebera do fabricante um capacete novo mediante a entrega do seu capacete acidentado e pagamento de uma taxa.  Vale a pena verificar com o fabricante do seu capacete e guardar a nota de compra para você poder solicitar uma reposição no futuro caso seja necessário.

Será que preciso mesmo usar um capacete certificado?

Sabemos que a sensação de conforto e liberdade quando montamos sem capacetes é tentadora! Mas seguem alguns dados que precisamos considerar:

Montados, nossa cabeça está a quase 4m do chão com o cavalo parado.
Por mais mansos e confiáveis que sejam nossos cavalos, as variáveis são muitas e eles podem ter reações imprevisíveis.
Lesões à cabeça são a razão mais comum de internações hospitalares e responsáveis por mais de 60% das mortes relacionadas a cavalos.
No mundo equestre, 75-80% das lesões na cabeça são em decorrência de quedas, mas também ocorrem na lida.
Nas estatísticas, não há indicação de índices diferentes de lesões para as diferentes modalidades equestres.
Traumas repetidos à cabeça, mesmo que mínimos, podem causar danos cumulativos ao cérebro. Cada novo acidente expande o dano original e o cérebro não consegue se recuperar totalmente da lesão.

Espero poder ter ajudado na sua escolha! Se quiser informações mais detalhadas sobre capacetes e normas e certificação de segurança, não deixe de dar uma olhada nas referências que seguem.

Adriana Guedes, Proprietária da Cavallus, Amazonas desde 1980, Mãe de 3 cavaleiros

 

 

Referências:

http://www.cbh.org.br/images/pdfs/Regulamento_de_Salto_CBH_2019_VF.pdf

https://inside.fei.org/fei/your-role/medical-safety/safety

https://www.horsetalk.co.nz/2018/07/15/price-safety-horse-riding-helmets/

http://kentauraustralia.com/demystifying-the-new-helmet-safety-standards

http://www.horsesafetyaustralia.com.au

http://www.charlesowen.com

http://www.wa.equestrian.org.au

https://www.charlesowen.com/standards/

https://www.riders4helmets.com/head-injury-prevention-tips-for-equestrians/ http://animalscience.uconn.edu/equine/helmet-safety.php#

https://www.astm.org/search/fullsite-search.html?query=equestrian&

https://www.internationalbrain.org/pages/print-view/brain-injury-facts/

http://www.thehorsecollaborative.com

http://www.theeloquentequine.com

http://www.saiglobal.com

https://mackey.ie/when-to-replace-your-riding-hat/

[1] https://www.astm.org/search/fullsite-search.html?query=equestrian&